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| São Francisco Antes do Sultão do Egito, Al-Malik Al-Kamil. Paolo Gaidano. |
2. Observe que nem precisamos discutir o mérito da questão, ao menos os pontos “a” e “b”, posto que santo Irineu de Lião, em “Contra as Heresias”, identificou o caráter gnóstico da heresia de Basílides (já no século II), donde Cristo é o Nous que “[...] não foi ele quem sofreu a paixão, mas o tal Simão de Cirene [...]” (pág. 103).
3. Simão de Cirene é referido em Mateus (27, 32), Marcos (15, 21) e Lucas (23, 26), mas que, ainda em Santo Irineu de Lião, ele foi “[...] obrigado [a carregar] a cruz no lugar do Cristo e foi crucificado, quer por ignorância, quer por engano, porque, por transformação, recebeu o aspecto de Jesus enquanto Jesus tomava o aspecto de Simão [...]” (pág. 103).
4. Sobre Simão de Cirene, talvez a menção à Sagrada Escritura baste, porém, visando abreviar a questão do suposto “Evangelho de Barnabé”, por ora bastará entender que Tawadros II, Patriarca da Igreja Copta Ortodoxa, considera-o como “um livro repleto de erros históricos e geográficos, obra de um falsificador”, conforme amplamente noticiado: 5. Isentos de suporte teórico, ao menos na versão já mencionada (cujo link do PDF se encontra no decorrer dos próximos parágrafos, direto da fonte, mas sem conter as notas), sobrou apenas o que é patente no Alcorão de maneira universal, conforme disposto no 157º ayat (versículo) da quarta surata (capítulo):
- 4:157. E por dizerem: Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Deus, embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o crucificaram, senão que isso lhes foi simulado. E aqueles que discordam, quanto a isso, estão na dúvida, porque não possuem conhecimento algum, abstraindo-se tão-somente em conjecturas; porém, o fato é que não o mataram.
8. Não nos parece sequer necessário analisar, para este artigo, outros versículos corânicos para dizer que, por afirmarem que “Jesus não foi morto” e “que Ele não foi crucificado”, embora pensem que diferem dos judeus, corroboram os muçulmanos as tradições transcritas no Talmud em prol do Islã. Como isto é feito? Explicaremos.
9. Ao incitarem ao Alcorão, os muçulmanos se referem aos “blasfemos” (judeus e cristãos) de maneira a afastar deles aqueles que tiveram algum contato com certos textos, como é o caso da Torah (Tawrat), Evangelho (Injīl), Salmos (Zabur) e o Avesta, chamando-os de “Povo do Livro” (Ahl al Kitāb) e indicando a doutrina do profeta (Maomé).
10. Para isto, Jesus Cristo não pode ser Deus — e a consequência desse pressuposto indispensável é a terrível incoerência corânica, que ora afirma sua geração divina, mas não uma morte como tal (com sua ressurreição). Teologicamente, consiste em um impedimento de conciliação moral, posto que Nosso Senhor é o todo da fé; não uma parte (profeta).
11. Todavia, em obediência à Declaração Nostra Aetate: “[...] sinceramente se exercitem na compreensão mútua e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz para todos os homens”. Acreditamos que uma maneira disso ocorrer se dá ao meditar o Alcorão, fazendo uma leitura piedosa e pedindo o auxílio do Espírito Santo. 12. Compreender a mentalidade islâmica, corrigindo quaisquer imprecisões e movendo sua teologia à integral verdade evangélica já admitida, que tem sua correlação em muitas partes de outros livros que são bases da sabedoria da humanidade, talvez seja pelo menos um passo inicial para este empreendimento de Fé, Esperança e Caridade. Para referenciar esta postagem: ROCHA, Pedro. Consenso Corânico-Bíblico? Enquirídio. Maceió, 17 fev. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/02/consenso-coranico-biblico.html.
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